
Uma comitiva composta pelos Companheiros Sergio, Maria de Lourdes e Adélcio seguiu até o Município de Quatro Barras (01/10), com o intuito de informar a Sra. Ety Gonçalves Forte e sua família, que seu nome foi o escolhido para receber o Prêmio Guido Arzua dos Profissionais Notáveis, constante do Programa Pritaneu Edição 2011.
Na oportunidade a referida comitiva foi recebida com grande amabilidade e alegria por toda a família acabou com um almoço de confraternização oferecido pelos donos da casa, o que propiciou ainda maior integração entre todos.
Ao final, os Companheiros do Rotary Club de Curitiba Oeste saíram com o sentimento de que o Clube não poderia ter feito escolha melhor, pois, trata-se de uma mãe e avó muito decidida e positiva, com grande sentimento de solidariedade, carinho e amor ao próximo.
A família da homenageada mostrou-se muito feliz e agradecida pelo Prêmio que a dona Ety receberá, pois, isso tem sempre um significado de coroamento por anos e anos de lutas sem fim em prol da criança e da juventude paranaense, brasileira e internacional.
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A Sra. Ety Gonçalves Forte é presidente da Associação Hospitalar de Proteção à Infância Dr. Raul Carneiro. Esta Associação é uma entidade do terceiro setor mantenedora do Hospital Pequeno Príncipe e do Hospital de Crianças Dr. César Pernetta (chamados habitualmente apenas de Pequeno Príncipe). Fundada em 1956 por um grupo de cidadãos voluntários, a Associação vem, desde então, viabilizando a existência e ampliação dos serviços desses hospitais através de uma permanente mobilização de pessoas, entidades e recursos para esse fim.
A atuação da Associação vem permitindo um contínuo aperfeiçoamento do atendimento oferecido pelos dois hospitais, não apenas em aspectos técnicos, como também na permanente capacitação de seu pessoal e na humanização do atendimento, além da aquisição de novas aparelhagens e tecnologias.
Veja abaixo a matéria veiculada na Gazeta do Povo, em 03/10/2011:
Ety Gonçalves Forte
Artista plástica e ceramista, dedicou dois terços de seus 71 anos à associação que consolidou o complexo Pequeno Príncipe como referência em pediatria no Brasil. No final da década de 60, era discriminada pelas madames por ser artesã e discriminada pelos artesãos por ser madame. No fim, a acolhida dos curitibanos foi melhor do que o esperado. Pelo seu legado, recebeu o título de cidadã honorária de Curitiba e do Paraná.
Eram muitas as crianças internadas, cada uma com seu lamento, mas como ignorar o choro tíbio vindo da enfermaria? Adão contava 11 anos e o tumor no cérebro já lhe havia cobrado a visão. Não parecia um pranto apenas, antes uma súplica. Ety entendeu a intensidade do clamor.
— Quer alguma coisa? Um brinquedo?
— Não! Eu quero que minha mãe venha me ver.
Olhos úmidos, ela se retirou. Prostrou-se de joelhos em frente da seringueira no pátio do Hospital Pequeno Príncipe e, em tom até provocativo, cobrou de Deus uma iluminação. De repente, uma ideia. Colocou uma fralda de pano na cabeça, foi à enfermaria, pegou Adão no colo e se pôs a falar baixinho, quase um sussurro.
— Filho, mamãe chegou.
— Por que você não tá comigo?
Num fio de voz para não se delatar, desviou da pergunta e retomou as palavras de alento em nome de uma mãe cujo paradeiro ninguém sabia.
— Mãe, tô muito cansado.
Ety apertou-o contra o peito e, fala embargada, se manteve firme no disfarce.
— Você vai morar com os anjinhos. Um dia a mamãe vai lá morar com você.
— Mãe, tô muito cansado.
Ao cabo de alguns minutos, adormeceu. Ela o devolveu ao leito e se retirou, trêmula. Em seguida, bateram à sua porta: Adão morreu. Ety correu à seringueira. Agradeceu a chance de devolver a mãe àquele menino antes de ele partir.
Essa foi só uma das múltiplas vivências de Ety Gonçalves Forte desde 1966, quando assumiu a Associação Hospitalar de Proteção à Infância Dr. Raul Carneiro, mantenedora do Hospital de Crianças César Pernetta. Hoje o complexo Pequeno Príncipe, referência no tratamento de alta complexidade, tem o maior hospital pediátrico do Sul do Brasil e oferece o maior número de especialidades no país. Fez muito a moça do interior paulista recém-chegada a Curitiba com o marido, o arquiteto Luiz Forte Neto. Mas não foram fáceis as coisas.
Discriminada quando criança por ser filha de pais divorciados, mergulhou nos livros achando que assim poria fim ao problema. Veio daí a vaidade de provar-se capaz, tipo "vocês vão ver um dia". Enfim, o dia chegou. Não sabia nada sobre entidades de crianças doentes, mas aceitou o desafio de presidir a associação. A posse foi um evento. Compareceu chiquérrima, maquiada, sapato com lesar, blusa rosa de babados, cabelo em coque à moda da época. O discurso ia dos "píncaros da glória" aos "arcanos do infinito". Contudo, depois da festa, a realidade.
O médico Ivan Fontoura acompanhou-a num tour pelo hospital. O susto na enfermaria foi só o prelúdio do choque na ala de queimados. Ela prendeu o cabelo, tirou o sapato de salto alto e o segurou na mão. A ficha caía naquele instante. Aquelas crianças não tinham nada. Sentiu-se tomada de uma vontade tamanha que se achou em condições de mudar aquilo tudo. Voltou para a sala onde permaneciam as pessoas que a empossaram. Ainda sob efeito das imagens da enfermaria, anunciou:
— Só aceito se puder dar alta às crianças em condições para isso e não receber nenhuma outra, a não ser em caso de emergência. Quero começar limpando o hospital.
Olhares de desconfiança. Ety rompera o protocolo. Fora convidada para organizar festas, eventos, chazinhos, mas não era isso o que queria. Não depois do que acabara de ver. Precisava fazer algo para mudar aquilo de verdade. Ao fim de uma pausa, recebeu um ok. Logo poria em curso sua revolução. Uma revolução cujo lema ela foi buscar nos ideais de Che Guevara. Fervia-lhe na mente as frases do ídolo: "Ser revolucionário é fazer sua própria revolução todos os dias" e "o verdadeiro revolucionário é movido por grande sentimento de amor."